Patricia Finotti

Marilda Rodovalho (@relatosdeumcoracaobipolar)
Mestre em Linguística Aplicada, pela UFG e graduada em Letras pela mesma universidade. Professora de língua portuguesa, inglesa e espanhola no ensino fundamental e médio, português instrumental e língua portuguesa na UEG em convênio com a Academia de Polícia Militar de Goiás.
Participou da equipe de elaboração do currículo de língua portuguesa da Secretaria de Estado da Educação de Goiás, bem como da elaboração de material didático pedagógico distribuído à rede.
Ama viajar, ler, ouvir música e estar com seus animais de estimação e companheiros fieis.

Dizem que WhatsApp não é lugar de textão. Meu sobrinho chega mesmo a dizer que prefere esperar o filme, quando recebe um texto assim. Na verdade, está correto. O App foi criado para mensagens rápidas, não para textos longos, demorados e detalhados, já que para isso você poderia logo enviar um e-mail. O WhatsApp corresponde ao que antes tínhamos como bilhete, e o e-mail seria a carta, por assim dizer.

Mas tem momentos em que você se sente tomado por um sentimento tal, que somente um textão para explicar. Ou, para quem gosta do som da própria voz, o que não é muito o meu caso, sou um tanto acanhada, pode gravar uma mensagem de dez ou quinze minutos. Mas aí existe o perigo de ter do outro lado alguém como esse meu sobrinho a dizer: “Vou esperar sair o álbum completo.” O fato é que esse nosso companheiro de todas as horas não é mesmo o melhor instrumento para mensagens “lonnngas.”

 Dito isso, volto agora ao que interessa. Esse texto tem início em uma mensagem escrita no WhatsApp, num daqueles momentos de felicidade estrema, de puro êxtase, quando o coração bate tão forte que parece sair pela boca e você precisa, mas precisa muito compartilhar com alguém. Então você começa a escrever uma mensagem e quando vê, ela está enorme e na verdade não importa, porque é isso mesmo, você quer que todos sintam a mesma felicidade boba que está sentindo naquele momento; então começa a encaminhá-la a dois, três ou quatro amigos de uma vez, mesmo correndo o risco de parecer um idiota.

Pois bem, não tenho medo de parecer idiota, e vou compartilhar essa mensagem aqui, do modo como a escrevi

“Todos os dias tenho saído para andar com as meninas pelo parque. Saímos lá pelas 8h. fico esperando ver algum pássaro diferente, ou os saguis que vivem aqui, mas já me sinto feliz em ouvir tantos cantos diferentes e em ver tantas flores. Hoje fiquei extasiada. Consegui ver beija-flor, juruviaras e um passarinho novo azul, tão pequeno e lindo que me fez chorar de emoção. E quase no final do passeio ainda consegui ver o meu sagui. Puxa! Podia sair gritando naquela hora, mas acho que as pessoas já me acham um pouco doida por me verem conversando animadamente com as meninas. De qualquer modo, essa é a razão para a mensagem de hoje. Gratidão é tudo o que sinto. Gratidão a Deus por ser tão maravilhoso e criar tantas maravilhas. Gratidão por me permitir compartilhá-las. Te amo, senhor. Para quem busca provas de sua existência, eu as tenho todos os dias. Minha alma agradece.”

Bem, aqui está, fiz questão de copiar a tela para mostrar que realmente é um texto fora dos padrões para o que se propõe o App, é um textão. Mas naquele momento era como me sentia, eu havia avistado um lindo pássaro azul a menos de dois metros de mim, no galho de uma árvore. Ele ficou ali parado se mostrando, sem medo de mim ou de minhas cachorras, tão lindo, pequeno e de um azul claro e suave, cantando pra nós como se estivesse se apresentando. Algo que meus sentidos jamais esquecerão, que meu coração jamais esquecerá. É mesmo verdade que lágrimas desceram de meus olhos porque não havia como negar naquele momento a presença de Deus ali, tamanha a beleza daquele instante.

Mais um dos presentes que Ele tão generosamente me deu, um Pássaro Azul.  O meu Pássaro Azul, como as minhas libélulas, o meu arco íris e o meu jardim de flores amarelas.

E agora, enquanto escrevo, o doce gorjear de um sabiá do campo, bem ali, no Parque, em frente à casa onde moro e por onde ando todas as manhãs à procura de novidades e conhecimentos.

Aprendi, por exemplo que aqui existem três espécies diferentes de pássaros de cor preta: o Pássaro preto, propriamente dito, o Anu preto, e outro, não tão comum, o Chuva preta, que se diferencia do Pássaro preto por ter o bico vermelho. Sei que existem vários tipos de periquitos, de tamanhos variados e igualmente alegres e barulhentos e que as Juruviaras, apesar de amarelas e esverdeadas não são difíceis de se ver, porque existem em bandos por aqui, assim como Coleirinhas e Tizius. E os Bem te vis são muito abusados, pelo menos os que se tornaram fregueses da ração do Frajola, o meu gato. Chegam a entrar na área, nos fundos da casa e comer a ração na vasilha do gato, sobre a mesa de fora. Mas não chegam de mansinho, antes se anunciam, gritando bem te vi, assim sabem se o gatinho está por perto ou se podem se aproximar sem susto.

Meu passeio no Parque é uma aventura, a cada dia à espera de uma nova descoberta ou de um reencontro, como com o meu Pássaro azul, a quem já vi duas ou três vezes, a última, no domingo passado; ele estava sobre o galho de uma árvore próxima à pista de caminhada, se esquentando ao sol fraco da manhã, mas prefiro pensar que esperava por mim, para me dar um alô e alegrar o meu dia com sua cor e seu gorjeio tão lindos.

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