A maratona de filmes franceses já tem data marcada. De 7 a 20 de junho, cerca de 60 cidades brasileiras recebem o Festival Varilux de Cinema Francês de 2018. O evento, que no ano passado conquistou o ranking de maior festival francês do mundo, levou 180 mil pessoas aos cinemas apontando um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Em 2018 serão 20 longas-metragens da nova safra da cinematografia francesa e um clássico: o famoso Z, de Costa-Gavras. A abertura em São Paulo será dia 6 de junho com a presença da delegação artística, formada por diretores e atores. O Rio de Janeiro receberá os artistas no dia 7. Antes disso e pela primeira vez fora do eixo Rio/São Paulo, o Festival Varilux levará parte da delegação para o nordeste: Salvador ganhará uma pré-estreia do evento no dia 4 de junho.
Pela primeira vez, o Festival, em parceria com a UnifranceFilms, apresentará uma seleção de sete curtas-metragens franceses, demonstrando dessa forma a diversidade e a criatividade da narrativa audiovisual da França. O Varilux promoverá também, pela
segunda vez, uma Mostra de Realidade Virtual com curadoria do cineasta e especialista francês Fouazi Louahem, que também ministrará uma e Masterclass de Realidade Virtual.
Além da exibição dos filmes, as atividades paralelas contemplam debates com os integrantes da delegação, ações e sessões educativas, laboratório franco-brasileiro de roteiros sob a coordenação de François Sauvagnargues, especialista de ficção e ex-diretor geral do FIPA (Festival Internacional de Programação Audiovisual) e também um encontro entre profissionais do audiovisual franceses e brasileiros.
O evento tem patrocínio principal da Essilor/Varilux, Ministério da Cultura por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, Secretaria de Estado de Cultura, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
OS FILMES
O público terá a oportunidade de assistir aos mais novos trabalhos de cineastas, astros e estrelas já consagrados e também de premiados jovens talentos que imprimem diversidade e originalidade ao cinema francês. Entre as produções, destacam-se três filmes da nova geração francesa de cineastas, designada várias vezes pela crítica de “nouvelle guarde”: “Custódia” (Jusqu’à la garde), de Xavier Legrand, que acompanha a disputa entre um casal pela guarda do filho. O longa foi vencedor do Prêmio de Melhor Direção e Melhor Primeiro Filme no Festival de Veneza. “A Excentrica Família de Gaspard” (Gaspard va au marriage), de Antony Cordier, comédia maluca e melancólica sobre o adeus à infância, desejo e tempo. “O Poder de Diane” (Diane a les Épaules), de Fabien Gorgeart, em que uma mulher concorda em gerar o filho de um casal de amigos homossexuais, abordando com humor e ternura a temática dos novos modelos familiares.
Também obras de jovens cineastas, dois filmes de gênero pouco comum na França têm como cenário uma Paris pós-cataclismo. Ao mesmo tempo uma sátira social e um filme de zumbis, o longa de Dominique Rocher “A noite devorou o mundo” (La nuit a dévoré le monde) mostra a cidade invadida pelas criaturas, com um único ser humano tentando sobreviver. Na mesma veia, “O Último Suspiro” (Dans la brume), do quebequense Daniel Roby, mostra uma família
tentando se salvar após uma contaminação química, com Romain Duris no papel principal.
Será apresentado o último filme de François Ozon: “O Amante Duplo” (L’amant double), um thriller exibido na última edição do Fe stival de Cannes com a bela Marine Vacth em romance erótico com Jérémie Rénier, que desempenha duplo papel na trama. O ator também estará no festival como diretor pois assina, ao lado do irmão Yannick Rénier, a direção do suspense “Carnívoras” (Carnivores), sobre a relação conflituosa de duas irmãs atrizes.
A cinebiografia “Gauguin – Viagem ao Taiti” (Gauguin – Voyage de Tahiti), de Edouard Deluc, traz Vincent Cassel no papel do artista em seu autoexílio no Haiti, onde encontra sua musa Tehura, tema de suas mais importantes pinturas, e local no qual enfrenta solidão, pobreza e doença. Já o drama LGBT “Marvin”, mais recente longa de Anne Fontaine, conta com a atuação de Finnegan Oldfield, um dos jovens atores atuais mais cotados na França. No longa-
metragem, ele ainda contracena com a consagrada atriz Isabelle Huppert, que interpreta ela mesma. O histórico “Troca de Rainhas” (L’échange des Princesses), ambientado em 1721, conta a história da troca de princesas entre França e Espanha para manter a paz entre os dois reinos e traz no elenco os emblemáticos atores franceses Lambert Wilson e Olivier Gourmet.
Pierre Niney, reconhecido especialmente por sua interpretação em “Yves Saint-Laurent”, poderá ser visto atuando como filho de Charlotte Gainsbourg no filme “Promessa ao Amanhecer” (Promesse de l’aube), drama de Eric Barbier. Um dos mais populares atores franceses, o veterano Daniel Auteuil está no longa “Orgulho” (Le Brio), de Yvan Attal, como um explosivo professor que aceita preparar uma aluna da periferia para um concurso de
oratória. A protagonista Camélia Jordana foi premiada com o César 2018 de Melhor Atriz Revelação por esse papel. Outros dramas que também estão na programação deste ano focarão em questões humanas e sociais. É o caso de “Primavera em Casablanca” (Razzia), que trata de intolerância e aceitação das diferenças, assinado pelo marroquino Nabil Ayouch; de “A Aparição” (L’apparition), de Xavier Giannoli, que investiga a crença e a manipulação de informações ao redor de uma moça que alega ter visto uma aparição da Virgem Maria.
Não faltam ainda as comédias clássicas, dramáticas, românticas, todas com o inconfundível toque francês. Entre elas estão quatro longas-metragens. Ganhador de cinco prêmios Cesar, “Nos vemos no paraíso” (Au revoir là-haut) é uma adaptação do romance de Pierre Lemaître, que conta sobre a amizade entre dois sobreviventes de guerra, que montam um plano para desmascarar um tenente corrupto. Enquanto em “50 são os novos 30” (Marie Francine), de
Valérie Lemercier, a diretora também interpreta o papel protagonista de uma mulher que volta a morar com os pais aos 50 anos. “O retorno do herói” (Le retour du héros), de Laurent
Tirard (“O pequeno Nicolau”), traz o premiado ator Jean Dujardin como um covarde e desleal capitão, que se transforma em um herói a partir de uma grande mentira inventada por sua cunhada. Por último, “De Carona Para o Amor” (Tout le monde debout), de Franck Dubosc, retrata a história de um galanteador mentiroso, que se passa por um deficiente para conquistar a amada.
A criançada também não fica de fora, já que vai ter a oportunidade de assistir “A raposa má” (Le grand méchant renard et autres contes), de Benjamin Renner e Patrick Imbert, ganhador do César de Melhor Filme de Animação em 2018, que revela que o campo pode ser nada tranquilo com um coelho que pensa ser uma cegonha, um pato que deseja substituir o Papai Noel e uma raposa que acredita ser uma galinha. (Bia Tahan)